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Mensagens de Reflexão

Não quero!

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Não quero estar certa em nada, não quero ter razão, não quero ter opinião para qualquer coisa, não quero. Não quero falar sério, não quero a verdade, não quero. Não quero dizer se é tarde ou cedo, se é novo ou velho, se é bom ou ruim, não quero me proteger, não quero. Não quero ser correta, ser uma mãe exemplar, uma filha exemplar, uma profissional exemplar, não quero exemplos.
Não quero chegar na hora certa, na hora errada, não quero impressionar, não quero morrer uma única vez, não quero. Não quero ter um endereço, um guarda-chuva, um testamento, não quero. Não quero me salvar, me converter, me ajuizar de modos, me modificar, não quero.
Não quero palavras inteiras, quero apontar com o dedo, não quero concordar rápido, não quero. Não quero contar o número de janelas, o número de portas, o número de vizinhos, não quero. Não quero me repetir para me confirmar, decidir para me poupar, quero baldear as estradas mais remotas, encontrar pouca coisa que não há como lembrar. Não quero falar o que se espera, esperar o que não existe, não quero. Não quero usar talheres pequenos e grandes, cálices pequenos e grandes, pratos pequenos e grandes, não quero. Não quero acusar, dar um preço, dar um parecer, dar uma sentença, não quero. Não quero a demora sem manchas, o sol sem neblina, digitar um e-mail, não quero. Não quero um livro se não sentir vontade de ler com o coração, não quero uma música se não aquecer as mãos, não quero um amor se não me corresponder para o amor que espero, não quero. Não quero a fama da modéstia, uma rua sem becos, uma casa sem quintal, não quero. Não quero uma chuva sem pensar em solidão, não quero um conhecimento que perca a simplicidade, não quero uma oração que não seja de Fé, não quero. Não quero passar a porta sem metal, passar o orvalho sem as unhas, passar o ouvido de uma cidade sem ao menos escutar um sino, não quero. Não quero conversar com os mortos sob a luz de vela acesa, não quero. Não quero ter cuidado com os lábios, ajeitar o cabelo para as despedidas, não chorar em público, não quero. Não quero ser comedida, contida, tolhida, reprimida, julgada e condenada, não quero.
Não quero separar as chaves, as amizades, as obras, não quero. Não quero silenciar sem silêncio, quero uma ruga para achar meu rosto, quero amar antes do amanhecer, quero ver a pedra dentro do sapato, a escada dentro da árvore, um barco a seco. Quero amarrar uma corda no lugar do cabide para pendurar meus sonhos, amassar o verão da grama, andar de cabelos soltos ao vento, olhar perdoando mesmo sem olhar meus olhos a pedir perdão.
Não quero uma notícia para ser real, garantias, fiador, caução, não quero. Não quero a imponência, a importância, a indiferença, não quero. Quero percorrer uma rua em pleno movimento para despertar a voz mais abafada, quero regressar lentamente para onde não nasci, predestinar a dor que me oprime a transformar-se em alegria.
Não quero confirmar milagres, continuar sem parar, acreditar sem desistir, não quero.
Às vezes, só não quero que de mim desacreditem tanto.

Autor da mensagem: Cáritas Souzza

Contribuíção: Denise Carreira

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