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Mensagens de Amizade

Quem sabe o que diz vive melhor

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Não é de censura, mas de controle que se trata. Quem se autocensura faz mal a si mesmo. Quem se autocontrola evita fazer mal ao próximo e a si mesmo.

Apesar do céu azul, o dia está gelado, e ele entra tiritando. De terno, casaco, chapéu e cachecol.

A esposa olha e diz: — Vestido assim você faz pensar no seu avô. Ele, que está na curva dos 50, não gosta. Vira abruptamente as costas e vai embora batendo a porta. Não dá ouvidos ao protesto da mulher.

A cena, que eu infelizmente presencio deixa-me sem jeito. Dizer que ele podia ter um pouco de humor? Que ela podia não ter comparado o marido ao avô?

Não tomo partido, claro. Sei bem que, entre marido e mulher, não se mete a colher. Mas a frase "o peixe morre pela boca" não me sai da cabeça, e eu acabo refletindo sobre o adágio.

Porque a morte pela boca? Porque o peixe morde inadvertidamente a isca, não resiste ao impulso de morder.

E por que o homem é a ele comparado? Por não resistir ao impulso de falar, entregar-se à fala como o peixe à isca e se tornar vítima das próprias palavras. Noutros termos, a espontaneidade é arriscada e, às vezes, custa caro. Há quem veja nela uma forma de tirania.

Isso acaso quer dizer que nós devamos nos censurar? Não é de censura, mas de controle que se trata.

Quem se autocensura faz mal a si mesmo. Quem se autocontrola evita fazer mal ao próximo e a si mesmo. Isso é o que está implícito na expressão "o silencio é de ouro", outro adágio

Não se trata de ser politicamente correto ou incorreto de obedecer ou desobedecer a uma moral social, mas de ser consequente, não dizer a verdade quando ela pode ser malévola. Até porque a verdade não existe, é sempre relativa ao ponto de vista. Isso, aliás, é o que diz Fernando Pessoa num dos seus muitos fragmentos. Conta que estava passeando e encontrou na rua dois amigos com versões contraditórias do mesmo fato e que, aos dois, ele deu razão. Por ser sábio, Fernando Pessoa era delicado.

A poesia, aliás, é sempre filha da delicadeza, mesmo quando o poeta declara de saída "canto o amor e as putarias", como Bocage. Porque, através da poesia, ele nobilita a putaria e assim inocenta a condição humana. Nada é mais merecido do que a licença poética, e ela nada tem a ver com a licença tirânica de quem não sabe o que diz e, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, vai pagar por isso.

Já é mais do que tempo de levar a sério o adágio: "Quem diz o que quer ouve o que não quer.

Bastaria isso para que a nossa qualidade de vida melhorasse rapidamente. Nós continuaríamos tendo que enfrentar o trânsito e suportar a poluição nas grandes cidades, mas já não viveríamos pisando em ovos o tempo todo. A natureza do convívio seria outra, e nós seríamos um pouco mais felizes. Nada é pior do que ouvir o que a gente não quer.

Autor da mensagem: Betty Milan

Contribuíção: Denise Carreira

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Autor:   Francisco Campos de Carvalho
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